sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Reflexões

Há horas em nossa vida que somos tomados por uma enorme sensação de inutilidade, de vazio... Questionamos o porquê de nossa existência e nada parece fazer sentido. Concentramos nossa atenção no lado mais cruel da vida, aquele que é implacável e a todos afeta indistintamente: As perdas do ser humano. Ao nascer, perdemos o aconchego, a segurança e a proteção do útero. Estamos, a partir de então, por nossa conta. Sozinhos. Começamos a vida em perda e nela continuamos. Paradoxalmente, no momento em que perdemos algo, outras possibilidades nos surgem. Ao perdermos o aconchego do útero, ganhamos os braços do mundo. Ele nos acolhe: nos encanta e nos assusta, nos eleva e nos destrói... E continuamos a perder... E seguimos a ganhar.

Perdemos primeiro a inocência da infância. A confiança absoluta na mão que segura nossa mão, a coragem de andar na bicicleta sem rodinhas por que alguém ao nosso lado

nos assegura que não nos deixará cair... E ao perdê-la, adquirimos a capacidade de questionar. Por que? Perguntamos a todos e de tudo... Abrimos portas para um novo mundo e fechamos janelas, irremediavelmente deixadas para trás... Estamos crescendo. Nascer, crescer, adolescer, amadurecer, envelhecer, morrer, renascer (?)... Vamos perdendo aos poucos alguns direitos e conquistando outros.

Perdemos o direito de poder chorar bem alto, aos gritos mesmo, quando algo nos é tomado contra a vontade. Perdemos o direito de dizer absolutamente tudo que nos passa pela cabeça sem medo de causar melindres. Assim, se nossa tia às vezes nos parece gorda tememos dizer-lhe isso. Receamos dar risadas escandalosamente da bermuda ridícula do vizinho ou puxar as pelanquinhas do braço da vó com a maior naturalidade do mundo e ainda falar bem alto sobre o assunto.

Estamos crescidos e nos ensinam que não devemos ser tão sinceros

. E aprendemos.. E vamos adolescendo... Ganhamos peso, ganhamos seios, ganhamos pelos, ganhamos altura... Ganhamos o mundo. Neste ponto, vivemos em grande conflito. O mundo todo nos parece inadequado aos nossos sonhos... Ah! os sonhos!!! Ganhamos muitos sonhos. Sonhamos dormindo, sonhamos acordados, sonhamos o tempo todo. Aí de repente, caímos na real!

Estamos amadurecendo... Todos nos admiram. Tornamo-nos equilibrados, contidos, ponderados. Perdemos a espontaneidade. Passamos a utilizar o raciocínio, a razão acima de tudo. Mas não é justamente essa a condição que nos coloca acima (?) dos outros animais? A racionalidade, a capacidade de organizar nossas ações de modo lógico e racionalmente planejado? (???) E continuamos amadurecendo.... Ganhamos um carro novo, um companheiro, ganhamos um diploma. E desgraçadamente perdemos o direito de gargalhar, de andar descalço tomar banho de chuva, lamber os dedos e soltar pum sem querer...

Mas perdemos peso!!! Já não pulamos mais no pescoço de quem amamos e tascamos - lhe aquele beijo estalado... Mas apertamos as mãos de todos, ganhamos novos amigos, ganhamos um bom salário, ganhamos reconhecimento, honrarias, títulos honorários

e a chave da cidade...E assim, vamos ganhando tempo.... Enquanto envelhecemos. De repente percebemos que ganhamos algumas rugas, algumas dores nas costas (ou nas pernas), ganhamos celulite, estrias, ganhamos peso... E perdemos cabelos.

Nos damos conta que perdemos também o brilho no olhar, esquecemos os nossos sonhos, deixamos de sorrir... Perdemos a esperança. Estamos envelhecendo. Não podemos deixar pra fazer algo quando estivermos morrendo... Afinal, quem nos garante que haverá mesmo um renascer, exceto aquele que se faz em vida, pelo perdão a si próprio, pelo compreender que as perdas fazem parte, mas que apesar delas, o sol continua brilhando e felizmente chove de vez em quando, que a primavera sempre chega após o inverno, que necessita do outono que o antecede...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Palavras vãs

Um dia resolvi me apaixonar... E foi exatamente neste dia que você apareceu. Eu? Um pouco assustada, talvez... Meu coração nunca havia palpitado tão forte... Uma pessoa especial!
Radicalmente, houve mudanças em meus atos, atitudes, semblante... Vida nova! Estava realmente apaixonada! Uma nova mulher! (Era como me sentia...). Descobri o verdadeiro sentido do que é ser feliz de verdade! E foi com você!
Mas... Existem dois lados da moeda... Tudo tem seu preço! Decepção, foi o preço!
Nunca imaginei sentir-me tão mal. Um caos emocional tomou conta de mim... E, por diversas vezes, me perguntei: Por que não dá certo?
Aprendi. Aprendi a amar, no entanto conheci o sofrer! A sensação?
Fui traída pelo meu próprio coração: Escolhi a pessoa errada!

Sou a metade que falta de alguém. Mas de quem?
Passamos a vida procurando, mas achar não é fácil...
Uma procura desenfreada por amor. Por um pouco de carinho. Alguém que complete, alguém que encaixe...
Não um encontro simples entre dois corpos físicos, mas um encontro de almas, que se doem entre si, que se completem como peças de um mesmo quebra-cabeças. Viver é complicado, para mim amar ainda mais!
Estar no mundo um aprendizado, uma busca pela paz, ter alguém é bem difícil, pois ninguém é de ninguém. Ser de alguém pior ainda, pois não consigo ter a confiança de acreditar em mais ninguém. Nisso sou mesmo criança, não cresci ainda não!
Mas, tenho esperança de um dia encontrar alguém que com muita paciência e amor me faça acreditar que é possível se ser feliz com alguém sem se machucar...
Às vezes ponho a prova e tenho dúvidas se quero realmente achar, tenho muito medo de amar... Ando para frente,mas não consigo parar de olhar para trás... As cicatrizes marcam lembranças, como me livrar delas?

Busco um amor; Mas nem sei o que é, realmente... O que é o amor?
Quero aprender o que é, mas tenho medo, sim tenho medo de amar... Penso, penso, mas não concluo idéias, por medo de errar, não há mais tempo para errar, todas as chances de erro já perdi; mas agora amo-me, sinto-me diferente, numa nova etapa, para uma nova vida, um novo eu, oportunidade, crescimento, longe das amarras do passado, as quais eu mesma criei... Meu próprio cárcere, minha própria ilusão, pois, presa não estou, amarrei-me sozinha... Cabendo somente a mim dar o primeiro passo, abrir a janela, abrir os olhos e sair da escuridão
... Se o desejo de ser amada for mais forte e eu me prender a alguém com insistência, ele se aborrecerá e acabará se afastando de mim.

O primeiro estágio do amor é a simpatia. A simpatia aumenta e se torna apego, e nesse estágio há sofrimentos e alegrias. A alegria proveniente do amor-apego vem sempre acompanhada de angústias e sofrimentos. A alegria absoluta, que não vem acompanhada de sofrimentos nem de angústias, só será obtida quando o meu amor evoluir mais. Só será obtida quando eu abandonar o apego e deixar o outro totalmente livre. Quando eu soltar o outro, ele voltará a mim espontaneamente, com amor sincero, porque ele, originalmente, é a outra metade da minha alma.

Sem amor, sem magia, sem carinho, vivo só de poesia. Sinto medo, não consigo, fechei meu coração e o meu corpo para o sentir!
A poesia tornou-se o apoio, tornou-se o alento, na hora do sofrimento...
Escrevo para não explodir com tantas idéias, faço isso com prazer para realmente relaxar, extravasar!
Escrevo para viver, escrevo para me encontrar, busco a mim mesma em meus textos e poesias...
Sou eu mesma quando escrevo. Escrevendo não me sinto só, me sinto completa e plena, encho as lacunas do meu peito. Busco nas palavras a alegria, o sentimento e a emoção. Vivo delas, delas me alimento, recrio aquilo que me faz e fez sofrer.
Quero um dia saber viver sem ter como parâmetro as lembranças do
passado.
Ter alguém que me valorize e ame ao lado, sem cobranças, neste mútuo aprendizado!

Krika

Recuo


Na guerra ou na vida, períodos de recuo são essenciais em qualquer boa estratégia. Ou simplesmente acontecem, atropelando nossa vontade mesmo assim, continuam sendo estarrecedoramente úteis (depois de passada a raiva por termos sidos detidos na marcha, claro). Eles nos forçam a enxergar a situação sob outro prisma, com mais frieza e, por isso mesmo, de forma mais acertada e isenta dos erros de julgamento que a intensidade e a raiva nos levam a cometer (o significado do ditado chinês "o lugar mais escuro é sempre debaixo da lâmpada" tornou-se, de repente, tão claro para mim como areia em dia de sol).

O grande barato de, vez por outra, nos distanciarmos do que nos importa é sentir o que esse redimensionamento nos causa. E seja ele qual for, a retomada nunca é insípida: ou nos faz enxergar a placa de "rua sem saída" que teimávamos em não ver ou, feito polimento em prata, devolve o brilho ao que o tempo havia enegrecido. Talvez por isso alguns casais só se entendam depois de uma separação: a dor, a sensação de ficar sem centro gravitacional, não ter mais ali ao lado quem se ama, pode provocar verdadeiros milagres na dinâmica de uma vida em comum (e na vida solo). Mas não podemos contar com milagres, precisamos da razão. O problema é que nossa suposta sapiência tende a sub-avaliar o que se tem ou (talvez seja pior), exagerar na importância e, se quisermos ser felizes, é inútil proclamar independência emocional ou tornar-se escravo das paixões. Qualquer extremismo nos isola e, curiosamente, é só dando um pequeno mergulho na solidão que compreendemos o valor do que nos rodeia e mora dentro de nós.

Depois de sofrer feito o cão por encarar tudo na base do oito ou oitenta, fiz um pacto comigo mesma: jamais levaria coisa alguma a ferro e fogo porque nada importa tanto. Absolutamente nada é imprescindível. Nem ninguém. Esse não é um discurso de auto-suficiência, pelo contrário, é uma reflexão de alguém que aprendeu na porrada (ou melhor, no choro) que só relativizando, tornando a existência e o coração mais leves, é que se pode ser feliz e, então, ser feliz com alguém. Pare de arrastar correntes, levar tudo tão a sério: a única coisa que você vai conseguir é uma úlcera. Cuide de quem ama mas não faça disso o objetivo da sua vida porque ficará, inevitavelmente, frustrada quando não tiver dele o que deu pra ele. Ou não tiver dele o que você ACHA que ele deveria devolver. E será bem feito: você fez o que quis, porque quis, então não venha reclamar o troféu. Não existe prêmio para quem doa amor. Por isso, distanciar-se deveria ser uma tarefa cotidiana: evitaria que fôssemos sugados pelo redemoinho que sempre começa logo ali nos nossos pés, mas estamos ocupados demais pra ver. Evitaria que exercêssemos de forma tão eficaz, e perigosamente despercebida, nossos piores defeitos.

Quando algo começar a te enlouquecer, enfernizar ou surtar, use a técnica dos grandes admiradores de arte: recue diante da tela, mude de ângulo em relação a ela, observe as cores, os traços e os detalhes que, na correria, sempre passam despercebidos. Então notará que ela é muito mais do que aquele ponto preto que ficava, insistente, diante dos seus olhos.

Ser feliz, no final das contas, não é questão de sorte ou azar. É questão de perspectiva.
Krika

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Acontece

Acontece de resolvermos ir adiante ou recuar. De sonharmos sonhos imersos na realidade ou sonhos completamente irrealizáveis.

Às vezes realmente acreditamos que o mundo dá voltas sobre um eixo de possibilidades e que só precisamos reconhecer as nuances dessas intensas mudanças.

Acontece de um querer e o outro não. Acontece de um brincar e o outro levar a sério. E por vezes o limite é o coração, por outras a razão. Acontece de pensarmos nas dores que já tivemos, nos erros que já cometemos e não levar nada disso em consideração. Mas também acontece de serem exatamente esses detalhes que nos freiam a vontade de arriscar.

Às vezes fazemos planos, outras apenas nos deixamos levar. Acontece de ser a pessoa perfeita ou da perfeição ser exatamente o fato de ser a pessoa mais improvável para seguirmos junto.

Acontece e como acontece, de nos apaixonarmos e aí então o que importa se acontece na hora certa ou se entra como um vendaval no pior momento.

E se tudo que acontece foi traçado por uma força maior, que por vezes chamamos destino, então de que adianta pensar sobre, pensar em como, pensar no porque. Resta apenas reconhecer que o que é importante... Acontece, às vezes acontece!
Krika

Músicas que falam por si

Tentando entender que felicidade são momentos bons...que passam...mas que vão ser bons para sempre. Me deparei com essas duas músicas da Pitty que retratam esses momentos...


EQUALIZE
PITTY

Às vezes se eu me distraio
Se eu não me vigio um instante
Me transporto pra perto de você
Já vi que não posso ficar tão solta
Me vem logo aquele cheiro
Que passa de você pra mim
Num fluxo perfeito

Enquanto você conversa e me beija
Ao mesmo tempo eu vejo
As suas cores no seu olho, tão de perto
Me balanço devagar
Como quando você me embala
O ritmo rola fácil
Parece que foi ensaiado

E eu acho que eu gosto mesmo de você
Bem do jeito que você é
Eu vou equalizar você
Numa freqüência que só a gente sabe
Eu te transformei nessa canção
Pra poder te gravar em mim

Adoro essa sua cara de sono
E o timbre da sua voz
Que fica me dizendo coisas tão malucas
E que quase me mata de rir
Quando tenta me convencer
Que eu só fiquei aqui
Porque nós dois somos iguais

Até parece que você já tinha
O meu Manual de Instruções
Porque você decifrava os meus sonhos
Porque você sabe o que eu gosto
E porque quando você me abraça
O mundo gira devagar

E o tempo é só meu
E ninguém registra a cena
De repente vira um filme
Todo em câmera lenta
E eu acho que eu gosto mesmo de você
Bem do jeito que você é

Eu vou equalizar você
Numa freqüência que só a gente sabe
Eu te transformei nessa canção
Pra poder te gravar em mim.


Me Adora
Pitty

Tantas decepções eu já vivi
Aquela foi de longe a mais cruel
Um silêncio profundo e declarei:
"Só não desonre o meu nome"

Você que nem me ouve até o fim
Injustamente julga por prazer
Cuidado quando for falar de mim
E não desonre o meu nome

Será que eu já posso enlouquecer?
Ou devo apenas sorrir?
Não sei mais o que eu tenho que fazer
Pra você admitir

Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber
Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber

Perceba que não tem como saber
São só os seus palpites na sua mão
Sou mais do que o seu olho pode ver
Então não desonre o meu nome

Não importa se eu não sou o que você quer
Não é minha culpa a sua projeção
Aceito a apatia, se vier
Mas não desonre o meu nome

Será que eu já posso enlouquecer?
Ou devo apenas sorrir?
Não sei mais o que eu tenho que fazer
Pra você admitir

Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber
Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Pacto

Fiz um pacto de silêncio com a minha vida.

Cansei de me deixar avaliar, investigar

Descobri que a melhor coisa que existe

É curtir sozinha, no máximo a dois

A delícia da minha intimidade

Fiz um pacto de silêncio com o meu coração

E não adianta ninguém querer adivinhar,

Dar palpites ou especular

O que ando fazendo, com quem ando saindo

É segredo meu, é assunto meu

Fiz um pacto de silêncio com o meu futuro

Gosto de pensar que o mistério é instigante

Acredito mesmo que a minha verdade é só minha

E somente com meus amigos, aqueles de sempre

Vou dividir a minha realidade

Fiz um pacto de silêncio com a minha poesia

Não que eu vá deixar de escrever, eu não conseguiria

Mas o que for só meu, só meu será

Os que me conhecem sabem onde encontrar

Todas as letras que deixo escapulir para o papel

Fiz um pacto de silêncio com as minhas emoções

E a partir de agora vai ficar mais difícil

O olhar maldoso, a inveja latente

Quero a paz da minha identidade

Afinal não sou pessoa imaginária...sou gente!

Krika

Solidão

Preciso de Alguém...
Que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
E, ainda que não compreenda,
respeite os meus sentimentos.

Preciso de alguém...
Que venha brigar ao meu lado
sem precisar ser convocado;
Alguém Amigo o suficiente para
dizer-me às verdades que não quero ouvir,
mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso.

Nesse mundo de céticos, preciso de alguém...
Que creia, nessa coisa misteriosa,
desacreditada, quase impossível:
- A Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo.
Que não vá embora se algum dia eu
perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.

Preciso de um Amigo...
Que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida.
Mesmo que isto seja muito pouco para suas necessidades.
Nas farras e pescarias,
nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade...

Grite em coro comigo:
“Nós ainda vamos rir muito disso tudo” e ria muito.
Krika