O amor já foi dançado, pintado, chorado vivido milhões de vezes, e continua uma incógnita. Um assunto interminável, um mistério nunca desvendado. Talvez nem haja como desvendar de fato. Talvez seja só o estar desvendando. Como a vida. Desde a primeira célula se reproduzindo ao universo se expandindo, é preciso que o amor esteja presente. A gente ama muito na vida. A gente ama o peito da mãe quando é um bebê, e declara nosso amor incondicional à nossa mãe e cobra isso dela muito antes de aprender a dizer "gugu-dadá". A gente vai crescendo e formando nossa personalidade através dos nossos amores. As coisas que a gente gosta e as que a gente não gosta. Assim encontramos os nossos limites, e nos nossos limites encontramos o nosso contorno, o nosso jeito.
Quando a gente descobre o amor, descobre também a tristeza. Uma tristeza profunda e permanente que vem do fato de que tudo é transitório, tudo nasce e morre, e o amor também, arrancando pedaços.
A única coisa que a gente quer na vida é ser amado. Nós olhamos no espelho e pensamos: será que alguém vai gostar de mim de verdade?
Gostar aquele amor intenso, profundo e infinito, capaz de nos matar a fome de amor para sempre? E é assim que nos deparamos com a paixão. Quando estamos apaixonados por alguém que não quer nada com a gente, é a morte. Quando alguém se apaixona pela gente e não temos o mesmo sentimento para retribuir também é a morte. E quando nos apaixonamos por alguém perdidamente, achando que o outro nunca vai pensar em você e, de repente , você percebe e descobre que o outro está perdidamente apaixonado por você também. Aquela pessoa que para você é o máximo dos máximos, que quando te dá um oi te faz sentir orgulho em ser cumprimentada, aparentemente tão distante, se revela alguém que só pensa em você, e que tem vergonha de dar bandeira, pois igualmente não imaginava ser objeto de sua paixão. O primeiro sinal da paixão é a estranheza. A gente vê e fica sem graça.
Até que um dia os olhares se cruzam e é como se uma explosão colorida tomasse conta de tudo.
É impossível fazer um momento durar pra sempre. Os sonhos podem durar muito, mas chega um hora em que a gente quer acordar e ver a nossa vida inteira de novo, por mais que tenha sido gostoso passar um tempinho vendo uma coisa só na nossa frente - a nossa paixão. Normalmente essa separação é fatal. Quando nos apaixonamos só enxergamos o que queremos, o que sonhamos, o que precisamos. E quando volta a vontade de enxergar a vida sem lentes cor-de-rosa da paixão, sem sempre encontramos ali, ao nosso lado, quem esperávamos encontrar. O amor é em essência movimento. E vale a pena tentar.
E quando estamos há anos com alguém, aprendemos o seu jeito. Sentimos saudade da sua risada. Sabemos a hora certa de desviar para não causar atrito. Conhecemos os seus defeitos e qualidades e gostamos desse certo alguém sem tirar nem pôr, do jeito que ele é. Até que um dia um dos dois por alguém motivo vai embora. O que fazer? Quando a vida não parece fazer sentido sem ela, mas sabemos que temos de os separar, ainda que a alma chore, seu corpo inteiro sinta essa dor e o futuro seja uma escuridão, no fim do túnel de luz em que o amor vinha te conduzindo.
Perder alguém é estar perdido. A gente nunca sabe se o amor vai voltar a sorrir nos nossos lábios. A gente vê alguém sofrendo, alguém cuja felicidade sempre foi a coisa mais preciosa da vida, e somos a única pessoa que não pode fazer nada. Quando um amor, um namoro, uma história termina, pode-se discutir quanto for que não via se achar o culpado. Por mais que um seja totalmente errado, os dois dançaram juntos uma música que só pode ser dançada a dois. E quando descobrir em que a alegria que houve foi feita por esse encontro, descobrirão que a dor também foi.
Eu quero muito ser amada. Quero amar muito também.
Quero muito fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Quando vejo duas pessoas se amando de verdade, sorrio, meu time está ganhando. Quando dois amigos se separam dói pra caramba. Mas eu sempre digo que embora tenha acabado nunca foi um fracasso. Tocar a felicidade junto com alguém é sempre uma vitória. Por um momento ou por uma vida. Amar é o que importa. Ou estar amando.
Amar, estar segura, saber que pode contar com alguém que te faz rir e sentir prazeres que beiram a loucura ou a transcendência.... acho que a idade faz com que fiquemos muito exigentes. Mas será que as canções emocionavam tanto quando eu era jovem?
Um aparelho de som é um ótimo companheiro para uma noite em claro. As canções podem dar muitos conselhos e nos trazer muito alívio.Mas eu não acho certo ficar sozinha. Eu gosto. Só não acho certo. Não me parece humano.
Por favor, compreendam que essas indagações tentam não ser muito pessoais ainda que auto-referentes. É uma questão de avaliação do que é estar só no mundo e carente de atenção, amizade, contato fisico e emocional etc. Como as relações se dão, quais as habilidades necessárias para iniciar alguma coisa. Daí em diante o que conta é a educação sentimental, a educação sexual e até mesmo os anos de estrada tentando fazer relacionamentos serem saudáveis e agradáveis. Sei ser uma companhia agradável. Se posso me dizer bem sucedida na vida, isso evidentemente estará refletindo o número de amizades e bons momentos conquistei.
Não me queixo de nada, não queria ser outra pessoa e nem queria ter outra aparência. Estou contente com as cartas que a vida me sorteou e sei fazer meu jogo. Estou em uma idade em que é fácil saber o que me faz bem e o que me faz mal, o que eu quero e o que preciso. E isso encurta muito espaços, prazos, e até mesmo possibilidades. Pode parecer ruim, numa primeira olhada, pois ter a humanidade ou metade dela pra poder escolher pode parecer bom, mas esse refinamento nos permite olhar bem de perto algumas poucas coisas que merecem mais a nossa atenção.
Como dizia o Proust, e essa é uma das minhas frases prediletas: "Não quero novas paisagens, quero novos olhos para olhar as mesmas paisagens."