quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Resíduos

...Ficou a Sensação de Coisas Mal Resolvidas,
De Palavras Sufocadas na Garganta,
De Um Amor Verdadeiro Machucado,
De Tantas Coisas Não Esclarecidas.

Uma Eternidade Parece Que Já Vivida,
Desencontros Hostis Finda o Que Era Continuidade,
Residuos Daquilo Que Era Encanto,
Sobrou Neste Espaço.

Quem Errou Não Importa,
Como Vidro Quebrou-Se, na Maldita Hora,
Residuos do Lamento de Ter Acabado Assim,
Algo Que Podería Ter Sido Uma Bela História.
Krika


Andarilha!

Já estive em muitos lugares,
E em muitos foi só de passagem,
Porque só considero ter estado,
Quando estive de corpo e alma.

Estive em algumas praias,
E delas inda guardo o gosto,
Estive em algumas cidades,
E nem me lembro o nome.

Estive em matas fechadas,
E guardo o som de seu silencio,
Passei por algumas estradas,
Que espero não passar mais.

Já andei por cachoeiras,
E ainda me encontro extasiada,
Já estive em monumentos,
E não estive em nenhum.

Já expandi meus limites,
Pra bem além da razão,
Nem por isso encontrei,
Aquilo que busco na paixão!
Krika



Incoerência..


Hoje bem sei que não te quero.
Já não és o mesmo que um dia amei...

Agora vejo o que não percebia

Não te quero mais, isso eu sei...

Mas sempre que a saudade aperta

Fecho os meus olhos

desejo e espero que ao abri-los
eu possa vê- lo aqui

Olhando-me com ternura

sorrindo para mim

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

DISTANTE

Será que distante é realmente tudo aquilo que não está perto?

É tudo aquilo que não conseguimos tocar ou pegar?

Ouso discordar dessa máxima e da funesta pergunta que me fazem aos barrancos de palavras jogadas.

Distante, na minha interpretação, é tudo aquilo que foge de si mesmo, que foge do outro sem que se perceba. Distante é o silêncio, é a falta de atitude, é a falta de lembrança, é a dor do erro irreparável e mortal. Distante é a soma de atitudes que conduzem a perda, a solidão, ao sofrimento e ao vazio interior. Distante é tudo aquilo que mesmo apegado, mesmo impregnado dentro da gente... perdeu o sentido!

Krika

Vida

Que eu me permita sofrer menos.

Que minhas palavras não ecoem

sem respostas das profundezas

dos meus sentidos.

Que meus pensamentos, sejam

apenas para o amor, mesmo não

existindo reciprocidade.

Que eu consiga recriar-me a cada

momento vivido na solidão.

Que eu consiga ver a beleza dos dias

mais "comuns", e sorria.

Que eu me permita viver os sonhos

mais simples e os mais loucos!

Que meu caminhar seja firme, dentro

dos meus limites.

Que meu infinito seja o calor do sol,

a imensidão do mar, a luz da lua, o

brilho das estrelas

no toque da minha

alma....

Na solidão do meu Eu!

Krika

Cada dia é uma página em branco

Onde desenhamos e escrevemos...

A imagem e o contexto dependem

De como vivemos ...

Hoje escrevi uma página

Que na minha vida será

Lembrada...

Juntando se páginas e páginas

Formamos o livro da vida

Onde somos autores e protagonistas

Diferente dos livros

Rascunhos não podem ser apagados

E acabam se tornando nossos

Próprios aliados

Aprendemos com os erros

E não existem corretivos

As lições que aprendemos

São os momentos vividos

Todos os dias surgem novos

Personagens...

Muitos se tornam parte do livro

Outros restam apenas imagens

Fecho a página

Mas não termino o livro...

Krika


"Renda-se, como eu me rendi.

Mergulhe no q você não conhece como eu mergulhei.

Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." (Clarice Lispector)


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

QUE DESEJO!

-- Sabe o que é desejo virtual tão real?

Então vou te contar....
É vontade de te ver, vendo
Talvez um beijo ou mais te dar, dando
É conhecer de tua boca o gosto, gostando
É me perder no seu gozo, gozando

É tocar teu corpo em arrepio ao meu, arrepiando
Fazer-te conhecer meu carinho, acarinhando
E talvez preencher teu vazio, esvaziando
Vontade de te ver, te beijar, viajar... Viajando

Deixar-te meu corpo tocar, tocando
Trocar contigo energia, entrelaçar, entrelaçando Extravasar... Enroscando
..................
E a ti inteiro me dar, me dando
Descobrir novo modo de amar, amando
E tentar...
Novas maneiras de se entregar, entregando

Venha... Vindo
Vamos... Juntos
Se entregue a mim, entregando
Quero...
Desejo!
Krika

Cuida de mim?

Vem...

Abraça a minha alma,

Ampara-me,

Seca meu pranto,

Deixa-me calma...

Vem...

Tira de mim essa ferida,

Essa dor...

Fala-me de amor,

Preciso tanto ouvir!

Vem...

Ajuda-me a seguir nesse caminho,

Dei-me um pouco de carinho...

Cuida de mim!

Faz-me sorrir,

Um sorriso que a vida limitou,

Diz que já passou?

Que seu amor não terá um fim...

Cuida de mim?

Krika

Sentimentos

O ser humano sente.

Sofre, chora e sente.

Alegra-se, sorri e sente.

Ama, inflama e sente.

O ser humano sangra.

Mutila-se, se castra e sangra.

Doa-se, arrebenta-se e sangra.

Ama, inflama e sangra.

Sentimentos são sintomas

De quem adoece de amor,

De quem vive inflamado,

De quem sonha acordado.

Sentimentos são a túnica alva

Manchada com o sangue limpo

De quem ressuscita todo dia

Com a doce ilusão de se ver amado.

Krika



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

AMIGOS ANJOS

Descobri essa irrefutável verdade ao perceber o quanto
são raras essas preciosidades que chegam de repente na
vida da gente e se alojam devagarzinho em local especial
e essencial da nossa existência.

No decorrer dos anos, encontramos vários tipos de anjos...

Alguns são sonsos, vão se apoderando do nosso carinho
como quem não quer nada, até que, quando percebemos,
já lhes dedicamos nosso afeto integral...
Outros são mais atirados; já chegam mostrando
claramente com seus olhos sinceros o quanto nossa
amizade é importante para eles...

Alguns chegam necessitando de curativos nos
ferimentos causados por amigos que não eram anjos...
Outros chegam para sarar nossos próprios ferimentos...

Alguns são leves e divertidos; nos mostram a alegria da vida...
Outros, não menos honestos, nos mostram a seriedade
com que a vida deve ser enfrentada...

Alguns têm suas qualidades tão à mostra, que a um
primeiro olhar já sabemos a que vieram...
Outros têm essas mesmas qualidades muito bem
guardadas e precisamos ir desvendando-as aos poucos...

Alguns esbarram na gente numa esquina qualquer, sem
avisar e nos dão carinhos reais, sorrisos reais,
proteção real....
Outros chegam através da telinha de um micro, nos
sorrindo de longe, sem rosto, sem forma, sem voz, mas
são igualmente anjos... seus carinhos são telepáticos,
mas conseguem nos perceber tristes ou alegres através
da fria máquina e nos fazer sentir abraçado, acarinhado, querido...

Uns não são melhores nem piores que os outros; são
apenas diferentes, com suas qualidades que devemos
salientar, com seus defeitos que devemos enfrentar
(pois quando gostamos temos compromisso de sermos
fiéis até aos defeitos do nosso anjo).

O importante é tentarmos, ao longo das nossas vidas,
termos sempre algum anjo com o qual possamos contar
nas horas difíceis pra nos dar alento e nas horas
alegres pra rir com a gente, rir da gente, da vida.

Enfim...
O importante é termos Anjos...
O importante é sermos Anjos...

FORA DE PADRÃO



Não sou uma princesa encantada, não sou bela nem nada.

Não sou sua rainha, nem tampouco te dou o paraíso,
nem tenho seu ouvido para proferir palavras doces.
Não sei cantar, meus olhos não brilham e meu corpo nem é tão perfeito.
Não tenho os cabelos lindos, muito menos a simetria facial
das mais afeiçoadas e meus dentes são até meio amarelos.
Não fumo, e nem sei me comportar como as bêbadas
que dançam nas madrugadas e beijam os homens.
Não sou bronzeada e ainda levo uma cicatriz no umbigo,
não sou artista, nem sei fazer cinema, nem intelectual sou.
Não falo tantas línguas, nem conheço tantos lugares.
Não gosto de palco, e nem sei dançar direito.
Não acredito em duendes, nem sei bolar um beck,
não vou muito em festas e tenho sono de criança...

Não ando tanto por aí, nem durmo até tarde.
Não sei dirigir, nem sou de ouvir som tão baixo.
Não me sinto tão rebelde, mas tenho o corpo com algumas tatuagens,
não gosto de papo cabeça nem de cabeça sem papo.
Não procuro a vida alternativa, nem sei que vida devo procurar,
não uso roupas diferentes, nem sei que moda usar.
Não sei escolher óculos escuros, uso qualquer um.
Não tenho frase de efeito, nem sei esconder meus defeitos.
Não tento ser irreverente, e tenho medo de tanta coragem.
Falo inglês razoávelmente bem, não entendo nada de francês
mas sei ler Neruda em espanhol. Talvez seja apenas isso que eu sei.
Tão pouco, com tão poucos encantos e ainda assim tenho a ousadia de te amar.
Ainda assim acredito que um dia serás tão meu
que só meu corpo poderá te aquecer nas noites frias de luar,
e só meus beijos poderão te fazer ninar, e apenas com eles,
vários deles, te acordar em carinhos.
Não tenho os encantos, nem cantos, de princesa moderna,
apenas quero amar e ser amada, e vivo à procura!

Preciso de um grande amor

“Solo si amas serás feliz, y sólo serás feliz si amás”

Me fascinou essa frase do senhor Antony de Mello, pra mim um ilustre desconhecido. A vi num livro argentino de citações de grandes caras da literatura. Não conheço o senhor Mello, nunca li nada dele, nem sei quem é, mas já gostei do sujeito por ter escrito tal frase. É forte, densa, e nos põe a pensar um pouco a respeito. Só um pouco.

Primeiro, e isso é bom ressaltar, concordo plenamente com a frase, mas eu acrescentaria algo na sentença para torná-la, certamente, mais coerente. Ficaria assim, vou colocar em nossa língua pátria: “Somente se amas serás feliz, e somente serás feliz se amas...e se amado for”. Não se pode pensar que, somente amar é o suficiente para ser feliz. Para ser feliz mesmo é fundamental ser amada. Amar sem ser amada é pior até que odiar. É impor a si mesmo um sofrimento avassalador. Não desejo isso a ninguém.

Daí a importância de uma frase infelizmente vulgarizada em novelas e romances imbecis: “eu te amo”. Por favor, não se deve dizer essa frase a uma pessoa movido apenas pela euforia de uma paixão, tesão ou grande afeto e desejo. Não faça isso nunca. Se fez alguma vez, não faça mais. “Eu te amo” é muito forte e recomenda-se ser empregado somente quando há amor verdadeiro.

Não existe amor de ocasião, de interesse, de Verão, ou de praia. Não existe amor pequeno, grande ou inocente. Não existe amor tênue, ligeiro ou inconseqüente. Nem tampouco existe amor volátil ou efêmero. Amor não começa da noite para o dia, muito menos termina num par de anos. Outros sentimentos podem se encaixar nessas formas todas que acabei de mencionar, mas amor não. Carinho, afeto, tesão, paixão e outras coisas mais cabem perfeitamente nas situações acima, mas amor, definitivamente, não.

Tesão pode terminar com um gozo. Carinho pode ser tão efêmero quanto um beijo. Afeto é volátil, se acaba com uma frustração qualquer. Paixão dura até um par de anos. Amor não se consegue contar o quanto dura. Tenha certeza, não se consegue.

Vinícius de Moraes, um de meus maiores ídolos da poesia, foi bem mal interpretado com seu verso sobre o amor “que seja eterno enquanto dure”. O grande mestre confundiu gerações e gerações de pessoas que achavam que o amor era algo, assim, volátil. Que poderia durar, por exemplo, até alguns dias apenas. Ora, basta conhecer um pouco da biografia do nobre poeta para tomar conhecimento de que ele sabia muito bem o que era o amor, mas era um grande apaixonado por mulheres e colocava a beleza sempre em sua mesa. Vinicius se apaixonou mais do que amou, e teve muito mais tesão que paixão.

Amor é outra coisa. Dura muito. Não se acaba com uma frustração, não se dilui com o tempo, não se afeta com a distância, não se dispersa sob guerra, não se acovarda diante dos inimigos, não se encolhe frente aos grandes obstáculos, não desbota se separado por um oceano. Amor é foda, amigos. É algo muito forte. Não o confunda mais com outros pequenos, porém saborosos, sentimentos. E, por favor, quando for dizer a alguém “eu te amo” saiba de uma vez por todas o que realmente é amor. Vinicius de Morais sabia muito bem, mas todo poeta que se preza gosta de brincar com seus versos e confundir um pouco seu público.

Sim, eu quero um amor. Pode ser piegas, brega e fora de moda. Mas eu quero. Pode ser em desacordo com os preceitos elementares da intelectualidade, mas não me importo, eu quero um amor. Pode não combinar com uma escritora louca, e com pretensões de conhecer o mundo. Nem ligo pra isso. Ah, quando escrevo sobre minha quase felicidade ao lado de meu amor, quando lembro dos toques, das coisas juntos, das pequenas atitudes do cotidiano. Tudo isso me enche de fugaz felicidade. Até mesmo estar ao lado dele quando ele dirige o carro. E buscar um copo de água no meio da noite? Tem coisa mais saborosa? Comprar um remédio na farmácia, buscar pão pela manhã, fazer o café para ele. Sim, eu quero um amor.

Quero rodar o mundo, conhecer culturas, mas sempre ao lado de um grande amor. Quero conflitar o mundo, fazer minhas bravatas, discordar dos absurdos, mas ao lado de um amor. Quero andar na terra, navegar nos rios, cruzar os mares, subir montanhas, conhecer ilhas, dormir na areia, andar na neve, mas ao lado desse meu amor. O quero comigo nas quatro estações. Se espirrar, serei a primeira a dizer-lhe “saúde”. Se espirrar novamente, boto-lhe um agasalho. E mais um espirro, vou medicá-lo. Quero cuidar de meu amor.

Ah, sim, se ele estiver por perto, muito carinho. Se longe estiver, saudade toda hora. Esse é o amor que quero. Que sempre sonhei. Que espero enquanto minha vida durar. Não me importa se é piegas, brega ou lugar-comum. Quem sonha pode um dia realizar, quem não sonha, apenas dorme. Sonho em estar ao lado de um grande amor. Que me diga “eu te amo” todas as vezes. Que faça amor comigo loucamente, que me seduza se me distrair desse prazer por alguns minutos. Ah, eu vou desejá-lo todos os dias, vou querer conquistá-lo nos mais impróprios momentos e nas manhãs mais frias quero aquecê-lo com olhos e mãos, e pernas, e braços, sempre, cada poro de seu corpo.

Cheguei tão perto de ter esse grande amor, hoje estou tão longe. Ainda hei de curtir uma boa parte de minha vida ao lado de um grande amor.

Amizade

A gente vicia em certas amizades,
na entrega, na qualidade,
na beleza da relação, na sinceridade.
A gente vicia no olhar,
no jeito meigo de nos tratar.
A gente vicia nas lágrimas e nas gargalhadas,
nos rompantes e nas palavras pausadas.
A gente vicia na companhia,
tanto na tristeza quanto na alegria,
no carinho que nos é dado
sem cobrar nenhum centavo.
A gente vicia nos gestos e no som da voz,
nos trejeitos e em tudo que é dedicado a nós.
A gente vicia em curto tempo
num grande e doce sentimento
que só faz crescer e amadurecer.
A gente vicia nos defeitos e nas qualidades,
nos efeitos de algumas amizades
e vicia em qualquer idade.
A gente vicia em tudo que já foi dito
e em tudo que é tão bonito.
A gente vicia nos segredos
que ainda não ouviu
e respeita o tempo
que isso ainda não nos permitiu.
A gente vicia na delicadeza,
na generosidade e na grandeza
de um vício que não é proibido
pois não consta de nenhum artigo
que é fora da lei se viciar em um amigo.