domingo, 29 de agosto de 2010

O que é a solidão...

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo..... isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar..... isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos.....isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida.....isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado..... isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma ...

(By Chico Buarque)

Pain

Penso que estou ficando imune a dor. Sinto um vazio tão grande. Um vazio de emoções, vazio de sentimento, um imenso e inatingível vazio.
Passeio nas tuas aventuras e penetro nas tuas entranhas... Não me encontro. Aprofunda-se a distância do que fui, do que tive.
Uma imensa solidão, sem lágrimas, sem dúvidas, somente o vazio.
Pergunto-me se o resgate do carinho, da imensidão de amizade ainda será possível.
Olho para dentro de mim e reconheço o amor ali imóvel, sem revolta, sem raiva, apenas sobrevivendo. Sem alimento, sem alegria, apenas resistindo. Talvez por ser verdadeiro, talvez por ser maior que eu mesma, talvez por ser tão forte...
Temo que o tempo não ajude a minimizar as lembranças, a saudade, mas que me torne cada vez mais imune a tudo que vem de você, sem querer, sem propósito. A frieza do tempo interior, a indiferença de alma, o vazio.
Hoje, sem querer, encontrei algo que me mostrou tão claramente a inutilidade de tudo que sinto, de tudo que eu queria acreditar que um dia com meu amor modifiquei.
E vejo-me tão perdida nas breves tentativas de mudar a história, de voltar a vida, de ter alguma alternativa.
Penso que estou ficando imune a dor porque não me sinto capaz nem mesmo de enfrentá-la de frente como sempre fiz e o pior é que não permito que quase ninguém veja esse meu pequeno mundo verdadeiro e particular.
Só eu e meu teclado me conhecem assim tão nua, tão frágil, tão desorientada, como se esse meu dom de escrever o que se passa na minha alma me levassem pra longe de tudo que me faz adoecer de solidão.
Krika

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

AUTO-RETRATO


Tenho olhos negros

Da cor de jabuticaba.
Tenho os pés fincados no chão
E a cabeça na lua e estrelas.
Não sou uma mulher alta
Mas sou uma grande mulher.
Tenho muitos amigos
E muito poucos melhores amigos.
Gosto de música de quase todos os tipos
E em algumas me encontro descrita.
Possuo a garra de quem sempre
Deseja para si o mais difícil
E gosto do que parece ser impossível...
Meus cabelos são castanhos
Mas também são pretos às vezes.
Tenho a idade que quero ter
E a alegria de quem ainda espera demais.
Minhas mãos não sossegam
Acarinham, escrevem, possuem...
Minhas pernas me levam sempre adiante
Quase nunca se dobram e quase nunca se cansam.
Falo muito, gosto do tom da minha voz
Mas nunca deixo que magoe quem não merece.
O meu sorriso é minha melhor arma
Minha defesa mais poderosa.
Sou dengosa, porém sou guerreira
Sou teimosa e tenho as minhas certezas.
Estou preservando a minha intimidade agora
Não preciso de aprovações ou platéia.
Posso ser tudo que alguém precisa
Ou o que nunca alguém terá.
Sou assim...
Dona de mim.

Krika


Falsa Intimidade - Martha Medeiros

Recebi esse texto hoje e parei para ler atentamente. Gosto do que a Martha escreve. Ela tem a capacidade de ir a fundo nas questões mais delicadas, de cutucar a ferida, de nos fazer rir e chorar. E esse é mais um dos textos nota dez dessa escritora ou descritora da alma feminina.

Chama-se: Falsa Intimidade

Fala-se muito sobre as frágeis relações amorosas de hoje, tão afetadas pela urgência de satisfazer desejos imediatos, pelas inúmeras possibilidades de contato instantâneo e pela pouca durabilidade dos sentimentos. Me pergunto: onde está o furo dessa história? O que perdemos no meio do caminho? Talvez nem tenhamos perdido, talvez simplesmente nunca tenhamos encontrado aquilo que só a poucos casais foi dado viver e que os mantém unidos a despeito de toda a artilharia.

A maioria, hoje, vive suas relações afetivas e sexuais de forma periférica. Contenta-se com cama, orgasmos e satisfação dos instintos. Isso somado a um cineminha, uma escapada no feriadão e um almoço em família configura uma privacidade compartilhada, e é o que basta para confirmar que a relação existe, seja ela chamada de rolo, namoro ou mesmo casamento.

Ainda me pergunto: onde está o furo da história? Por que essa privacidade compartilhada não se sustenta por muito tempo, não satisfaz 100% e gera tantas frustrações?

Com a possibilidade de acesso virtual a uma variedade de candidatos a grande amor e de seus cadastros (idade, profissão, time, fetiches), entrar na privacidade dos outros ficou muito fácil. Porém, em proporção inversa, perdeu-se a noção do que é intimidade, algo que nem mesmo algumas relações duradouras conseguem atingir.

Intimidade não se externa, não se divulga, não se oferece na internet. É nosso bem mais secreto, é onde guardamos a chave do nosso mistério, das nossas dores, das nossas dúvidas, da nossa emoção genuína. Não se compartilha isso com outra pessoa se ela não tiver sensibilidade suficiente para nos ouvir e entender, para nos aceitar e nos acrescentar, para nos respeitar e ofertar em troca sua própria intimidade, selando a partir daí um tipo de pacto que beira o sublime.

Essa intimidade requer confiança plena, compatibilidade na maneira de enxergar o mundo e nenhum instinto maléfico em relação ao outro. Intimidade é quando duas pessoas, mesmo distantes em espaço, estão profundamente unidas porque se reconhecem cúmplices, não competem pela razão. Claro que a intimidade não consegue evitar ciúmes e conflitos de ideias, e tampouco se pretende que ela acabe com a solidão de cada um, que é sagrada, mas ela assegurará a longevidade de uma união que será estabelecida pela generosidade do olhar: se estará mais preocupado em enxergar a alma do outro do que em fiscalizar para onde ele está olhando.

Amigos conseguem essa magia mais do que muitas duplas românticas, que frequentemente se enganam a respeito da falsa intimidade que o sexo faz supor. Invadir a privacidade alheia é moleza, basta um torpedo, um telefonema, um encontro. Mas ter acesso ao mundo interno que o outro habita e sentir-se à vontade nesse mundo é que torna tudo mais raro, mais mágico e mais eterno.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Meu reino por um homem interessante. Tati Bernardi


Novamente um texto de Tati Bernardi...

Uma angústia que vejo povoar a mente, o coração da maioria das mulheres, das minhas amigas e o meu...

Onde esta meu par? Onde anda aquele que dizem que vou conhecer qualquer dia e que vai mudar a minha vida? Onde está o homem que vai me fazer feliz?

Pois é...Tati dá essas respostas... Acredite, se quiser!
Depois que ler esse texto voce pode nem se abalar e continuar achando que tudo que faz esta certo, você pode desistir de entender ou você pode resolver dar uma mudada em tudo....rs

Vivo ou morto. Meu reino por um homem interessante.

Tati Bernardi

Não sei mais o que fazer das minhas noites durante a semana. Em relação aos finais de semana já desisti faz tempo: noites povoadas por pessoas com metade da minha idade e do meu bom senso.

Nada contra adolescentes, muitos deles até são mais interessantes e vividos do que eu, mas to falando dos "fabricação em série". Tô fora de dançar os hits das rádios e ter meu braço ou cabelo puxado por um garoto que fala tipo assim, gata, iradíssimo, tia. Tinha me decidido a banir a palavra "balada" da minha vida e só sair de casa para jantar, ir ao cinema ou talvez um ou outro barzinho cult desses que tem aberto aos montes em bequinhos charmosos. Mas a verdade é que por mais que eu ame minhas amigas, a boa música e um bom filme, meus hormônios começaram a sentir falta de uma boa barba pra se esfregar.

Já tentei paquerar em cafés e livrarias, não deu muito certo, as pessoas olham sempre pra mim com aquela cara de "tô no meu mundo, fique no seu". Tentei aquelas festinhas que amigos fazem e que sempre te animam a pensar "se são meus amigos, logo, devem ter amigos interessantes". Infelizmente essas festinhas são cheias de casais e um ou outro esquisito desesperado pra achar alguém só porque os amigos estão todos acompanhados. To fora de gente desesperada, ainda que eu seja quase uma.

Baladas playbas com garotas prontas para um casamento e rapazes que exibem a chave do Audi to mais do que fora, baladas playbas com garotas praianas hippye-chique que falam com voz entre o fresco e o nasalado (elas misturam o desejo de serem meigas com o desejo de serem manos com o desejo de serem patos) e rapazes garoto propaganda Adidas com cabelinho playmobil também to fora. O que sobra então? Barzinhos de MPB? Nem pensar. Até gosto da música, mas rapazes que fogem do trânsito para bares abarrotados, bebem discutindo a melhor bunda da firma e depois choram "tristeza não tem fim, felicidade sim" no ombro do amigo, têm grandes chances de ser aquele tipo que se acha super descolado só porque tirou a gravata e que fala tudo metade em inglês ao estilo "quero te levar pra casa, how does it sounds?"

Foi então que descobri os muquifos eletrônicos alternativos, para dançar são uma maravilha, mas ainda que eu não seja preconceituosa com esse tipo, não estou a fim de beijar bissexuais sebosos, drogados e com brinco pelo corpo todo. To procurando o pai dos meus filhos, não uma transa bizarra.

Minha mais recente descoberta foram as baladinhas também alternativas de rock. Gente mais velha, mais bacana, roupas bacanas, jeito de falar bacana, estilo bacana, papo bacana… gente tão bacana que se basta e não acha ninguém bacana.

Na praia quem é interessante além de se isolar acorda cedo, aí fica aquela sensação (verdadeira) de que só os idiotas vão à praia e às baladinhas praianas.

Orkut, MSN, chats… me pergunto onde foi parar a única coisa que realmente importa e é de verdade nessa vida: a tal da química.

Mas então onde Meu Deus? Onde vou encontrar gente interessante? O tempo está passando, meus ex já estão quase todos casados, minhas amigas já estão quase todas pensando no nome do bebê,… e eu? Até quando vou continuar achando todo mundo idiota demais pra mim e me sentindo a mais idiota de todos?

Foi então que eu descobri. Ele está exatamente no mesmo lugar que eu agora, pensando as mesmas coisas, com preguiça de ir nos mesmos lugares furados e ver gente boba, com a mesma dúvida entre arriscar mais uma vez e voltar pra casa vazio ou continuar embaixo do edredon lendo mais algumas páginas do seu mundo perfeito.

A verdade é que as pessoas de verdade estão em casa. Não é triste pensar que quanto mais interessante uma pessoa é, menor a chance de você vê-la andando por aí?


terça-feira, 3 de agosto de 2010

A Mulher da Minha Vida

Mais uma noite insone e finalmente, diante dos meus olhos uma verdade que eu me recusava a ver. Eu queria ser a mulher da tua vida, não consegui. Descubro, então, que eu preciso voltar a ser a mulher da minha vida.

Preciso abandonar velhas convicções, velhas certezas, velhos desejos e voltar pra mim. Restaurar esse meu coração que é o patrimônio histórico da minha humanidade. Preciso olhar pra dentro, ver o que restou, cuidar do que sobrou e reviver. Preciso voltar para os meus braços, sentir novamente a segurança de ser acarinhada por mim, pensar em mim, amar a mim.

Fiz as pazes com a vida e voltei a caminhar. Grandes passos na caminhada, pequenos passos na mudança que planejei para mim. Olhar para dentro de tudo que restou e fazer valer a pena o que há por vir. Acho que ainda tenho boas surpresas esperando para acontecer na minha vida, acredito que mereço ser feliz, mesmo que sozinha. Afinal, ninguém consegue ser totalmente só, se tem a companhia de suas próprias palavras.

E para fazer isso, precisei abandonar você. Largar de mão a tua vida. Porque tantas vezes eu voltei para a tua vida e você nem soube. Fui tua, inúmeras vezes dentro da minha solidão. Estive te olhando, estive esperando, estive vivendo a tua vida. Está realmente na hora de abandonar você. Não por nada que você tenha feito, mas por mim. Para voltar a ser a mulher da minha vida.

Preciso ganhar uma lufada de vento no rosto, preciso enfiar areia no meio dos dedos dos pés, preciso sentir a água gelada do mar escorrer pelo meu corpo e saber que não morri, que sobrevivi depois do mergulho profundo desse afogamento de amor.
Preciso catar os cacos dessa dor estilhaçada, preciso catar os restos dessa tentativa frustrada, preciso aspirar as lágrimas empoeiradas pelo tempo e enterrar no fundo das minhas lembranças. Voltar a tona eu preciso.

E feito isso, preciso tomar posse da minha vida novamente. Preciso ser de novo dona de mim. Porque se tenho defeitos ou qualidades não importa, o que importa é que tenho a certeza que sou hoje, a melhor opção para mim. Que sou o que eu mereço, que vivi intensamente tudo que desejei e isso fez de mim essa mulher que eu preciso, que me agrada, me seduz, me convence.

Hoje retomo as minhas rédeas para ser pra sempre; A MULHER DA MINHA PRÓPRIA VIDA.

By Krika

Sexta a noite...a peça que faltava.


Existem dias nessa vida que servem como um divisor de águas dentro da nossa história.

Sexta eu vivi um desses dias.

Sabem aquele quebra-cabeça de muitas peças que começamos a montar e que não sossegamos enquanto não esta pronto? Eu, enfim, terminei nesse dia de montar o meu. Na sexta à noite, na vida real, finalmente encaixei a última peça que faltava nele.

Eu tenho uma tendência a tentar sempre entender, descobrir o motivo, o porque das coisas que acontecem na minha vida. E isso é algo que me causa uma grande angústia, pois nem sempre quem protagoniza uma história comigo está querendo deixar transparecer o que houve. Mas, passados um ano do final enfim consegui entender, ou melhor, ver o motivo e encerrar a dúvida que não me deixava terminar o meu grande quebra-cabeça.

A dor da descoberta foi muita, mas não maior do que o próprio final, a injustiça, a indiferença, o desprezo, a frieza. Eu vi que a última peça tinha as cores da raiva e a forma do total desamor.

Quando cheguei em casa, deixei que todas as lágrimas corressem, que toda a tristeza viesse à tona e quando a manhã chegou olhei o desenho formado pelo meu quebra-cabeça e descobri que depois de pronto ele era um coração fechado, no qual não cabia nem a amizade que eu queria tanto que se instalasse nele.

Na noite de sábado, entendi de forma clara, concreta, real, que não posso apagar o último ano da minha vida, até porque não quero esquecer tudo que foi bom e nem posso acordar o sentimento lá adormecido, mas que posso montar de agora em diante uma outra história, um quebra-cabeça mais fácil de ser completado, porque esse que eu vivia definitivamente acabou.

Na manhã de domingo, com as lágrimas secas, com a tristeza esgotada, o corpo cansado por não ter conseguido dormir...reencontrei com o espelho, com o instinto de sobrevivência, com minha alegria. E tudo ao redor me pareceu muito lindo na minha vida.
Krika

A HORA DE PARAR

Esse texto foi escrito baseado em conversas de msn entre eu e um amigo, sobre a fragilidade das relações entre as pessoas, sobre o momento da despedida e suas conseqüencias.
Já te aconteceu de entrar em uma batalha para conquistar alguém? Não falo só de amor, falo também de amizade, família, trabalho. Tentamos de todas as maneiras uma aproximação. A cada pergunta, somente respostas vazias. Quando é hora de desistir? Devemos desistir?Lutar por causa perdida é desperdício de energia. Mas e quando é que devemos dar a luta por perdida?

Quando estamos empenhados em alguma coisa não conseguimos ver nada além do que queremos ver. Uma pessoa passa a ser perfeita a partir do momento em que começamos a amá-la; por mais que as outras pessoas apontem os problemas, os defeitos ou a indiferença do outro, simplesmente não vemos. Fechamos nossos olhos para tudo. Negamos os sinais.Nesses casos penso que chega um momento em que devemos nos afastar e aguardar que a outra parte venha até a gente. O grande problema é assumir o que irá parecer uma derrota. Não é derrota! É o que comumente chamamos de dar murro em ponta de faca!

Qualquer relacionamento humano precisa de interação. Você pode estar cuidando de uma pessoa em coma, que não reage a nada do que você faz, mas você sabe que ela está interagindo de alguma forma. Já quem está bem vivo e não mostra nenhum sinal de afeição por você não merece sua luta solitária.Deixe que ele sinta sua falta e venha te procurar. Ou pelo menos se distancie um pouco, reduza a procura de dez para uma. Se a pessoa não te procurar, a sentença foi dada: não tem mais jeito.Eu sei que é bem mais fácil falar, mas é nessa hora que você deverá usar toda as coisas que aprendeu na vida: ser forte, ser maduro, ter dignidade, ter sabedoria para escolher o melhor caminho. Para que aprender com a vida se na hora que precisamos não usamos?

É hora de parar quando a decepção aponta um punhal para o seu coração e ameaça teu amor de morte. Um amor não pode morrer, ele deve adormecer apenas. Esse é o ponto em que você irá fazer uma escolha, consequentemente será também uma renúncia: transforme seu amor em ódio ou reúna suas últimas forças – antes que elas acabem – e faça com que ele adormeça. Recomendo a última.Sofra tudo que tem que sofrer, mas não deixe o ódio morar contigo.

Como li no livro que citei num post anterior, é assim que brota o perdão: com a dor juntando suas coisas, fazendo suas trouxas e indo embora, sorrateira, no meio da noite.Perdoe a você mesmo por ter teoricamente fracassado. Afinal, você não fracassou, apenas soube a hora de bater em retirada. Recolha-se e junte forças para sua próxima batalha, que poderá ser sua maior vitória.
Krika

DE TUDO QUE ELE ME DEU, O MELHOR FOI UM PÉ NA BUNDA.

Tenho recebido textos demais sobre separações, reações, divagações e afins. E confesso, que muitos eu já nem leio mais. Acontece que hoje, uma amiga minha, usou de um recurso que me fez abrir o email de tão curiosa que fiquei.
E li, um dos melhores textos sobre o famoso pé na bunda. Doído e definitivo pé na bunda. Sei que muitos se verão nesse texto de Tati Bernardi....afinal quem nunca levou um pé na bunda????
Por isso trouxe aqui pra insanidade para dividir com vocês meninas... Quem sabe um dia, depois de tantas tentativas que fazemos após uma separação, não descubramos que somos melhores do que pensamos ser... hehehehehe.


DE TUDO QUE ELE ME DEU, O MELHOR FOI UM PÉ NA BUNDA.

Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo: "olha, não dá mais". Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo?

Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu: "mas agora eu to comendo um lanche com amigos". Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais inteligente, ele não volta pra mim?

Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema. Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta. E sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia.

Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele, sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito. Decidi ser uma mulher mais feliz, afinal, quando você é feliz com você mesma, você não põe toda a sua felicidade no outro e tudo fica mais leve.
Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora, participei de vários livros, terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas e nada aconteceu. Mas eu sou taurina com ascendente em Áries, lua em gêmeos e filha única! Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi que eu tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim.

Foi então que passei 35 dias na Europa,exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida. Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida.

Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris.

Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha. Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar.
Resultado disso tudo: silêncio absoluto...

O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele. Até que algo sensacional aconteceu. Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher, que eu acabei me tornando mulher demais para ele.

ELE...QUEM MESMO????

Tati Bernardi