Preciso de um espaço, onde meu olhar possa divagar. Preciso permitir que minhas crises saiam do labirinto mental. Preciso de um afagar, de um beijar que se prolongue no passar das horas. Preciso de sorrisos à toa, de palavras descomprometidas. Preciso de atos extremos que façam rodar meus eixos, que façam brincar meus medos, que façam que eu seja feliz. Preciso de uma brecha em todas as minhas dúvidas. Preciso de um beliscão de alguém que me diga não de tudo que foi tão bom, de lembranças e sonhos e planos. Livrar-me de qualquer doença. Deixar-me segurar pela mão e decidir entre razão e emoção.
A solidão faz caber em mim tantas pessoas desiguais que me transformo em intermináveis mosaicos, a alma em caleidoscópio. Devo ser forte para os outros e pra um outro sou frágil. E quando finalmente estou só, cato os cacos, com os olhos perdidos como se a vida não me pertencesse e eu fosse o palco dos outros. Esse vazio coabitado é o eco da vivência alheia. Sigo assim, meio pano de chão, com tantas pegadas a varar a madrugada.
Krika
Krika

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