terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sexta a noite...a peça que faltava.


Existem dias nessa vida que servem como um divisor de águas dentro da nossa história.

Sexta eu vivi um desses dias.

Sabem aquele quebra-cabeça de muitas peças que começamos a montar e que não sossegamos enquanto não esta pronto? Eu, enfim, terminei nesse dia de montar o meu. Na sexta à noite, na vida real, finalmente encaixei a última peça que faltava nele.

Eu tenho uma tendência a tentar sempre entender, descobrir o motivo, o porque das coisas que acontecem na minha vida. E isso é algo que me causa uma grande angústia, pois nem sempre quem protagoniza uma história comigo está querendo deixar transparecer o que houve. Mas, passados um ano do final enfim consegui entender, ou melhor, ver o motivo e encerrar a dúvida que não me deixava terminar o meu grande quebra-cabeça.

A dor da descoberta foi muita, mas não maior do que o próprio final, a injustiça, a indiferença, o desprezo, a frieza. Eu vi que a última peça tinha as cores da raiva e a forma do total desamor.

Quando cheguei em casa, deixei que todas as lágrimas corressem, que toda a tristeza viesse à tona e quando a manhã chegou olhei o desenho formado pelo meu quebra-cabeça e descobri que depois de pronto ele era um coração fechado, no qual não cabia nem a amizade que eu queria tanto que se instalasse nele.

Na noite de sábado, entendi de forma clara, concreta, real, que não posso apagar o último ano da minha vida, até porque não quero esquecer tudo que foi bom e nem posso acordar o sentimento lá adormecido, mas que posso montar de agora em diante uma outra história, um quebra-cabeça mais fácil de ser completado, porque esse que eu vivia definitivamente acabou.

Na manhã de domingo, com as lágrimas secas, com a tristeza esgotada, o corpo cansado por não ter conseguido dormir...reencontrei com o espelho, com o instinto de sobrevivência, com minha alegria. E tudo ao redor me pareceu muito lindo na minha vida.
Krika

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