segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

FORA DE PADRÃO



Não sou uma princesa encantada, não sou bela nem nada.

Não sou sua rainha, nem tampouco te dou o paraíso,
nem tenho seu ouvido para proferir palavras doces.
Não sei cantar, meus olhos não brilham e meu corpo nem é tão perfeito.
Não tenho os cabelos lindos, muito menos a simetria facial
das mais afeiçoadas e meus dentes são até meio amarelos.
Não fumo, e nem sei me comportar como as bêbadas
que dançam nas madrugadas e beijam os homens.
Não sou bronzeada e ainda levo uma cicatriz no umbigo,
não sou artista, nem sei fazer cinema, nem intelectual sou.
Não falo tantas línguas, nem conheço tantos lugares.
Não gosto de palco, e nem sei dançar direito.
Não acredito em duendes, nem sei bolar um beck,
não vou muito em festas e tenho sono de criança...

Não ando tanto por aí, nem durmo até tarde.
Não sei dirigir, nem sou de ouvir som tão baixo.
Não me sinto tão rebelde, mas tenho o corpo com algumas tatuagens,
não gosto de papo cabeça nem de cabeça sem papo.
Não procuro a vida alternativa, nem sei que vida devo procurar,
não uso roupas diferentes, nem sei que moda usar.
Não sei escolher óculos escuros, uso qualquer um.
Não tenho frase de efeito, nem sei esconder meus defeitos.
Não tento ser irreverente, e tenho medo de tanta coragem.
Falo inglês razoávelmente bem, não entendo nada de francês
mas sei ler Neruda em espanhol. Talvez seja apenas isso que eu sei.
Tão pouco, com tão poucos encantos e ainda assim tenho a ousadia de te amar.
Ainda assim acredito que um dia serás tão meu
que só meu corpo poderá te aquecer nas noites frias de luar,
e só meus beijos poderão te fazer ninar, e apenas com eles,
vários deles, te acordar em carinhos.
Não tenho os encantos, nem cantos, de princesa moderna,
apenas quero amar e ser amada, e vivo à procura!

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