quinta-feira, 20 de maio de 2010

Enfermagem - A arte de cuidar

Comemora-se no dia 12 de Maio, o Dia Internacional do Enfermeiro, dia de homenagem e de reflexão. Se a reflexão é feita diariamente, e bastante haveria para refletir sobre os dilemas atuais de Enfermagem, aproveito esta oportunidade para a homenagem suspeita mas merecida aos enfermeiros, as pessoas que tornam esta profissão, a profissão mais bonita do mundo!
E a homenagem que pretendo fazer passar pela resposta a uma simples questão:

"O que é ser enfermeiro?"

Enfermagem: profissão de referência!

Ora bem , começo por explicar o fato de considerar a enfermagem como a profissão mais bonita do mundo. Segundo a minha concepção de vida, a vida existe com uma missão única e transversal à natureza, revelada na mensagem de Deus “Amem-se uns aos outros como eu vos amei”. Amor! É esta a verdadeira missão da existência humana, e para esta missão existem diferentes criações, com diferentes papéis, incluindo os papéis profissionais. Se cada papel profissional integra um contributo valioso para a existência humana e para o amor ao próximo, o papel do enfermeiro tem, na minha opinião, um lugar de destaque entre esses papéis, dado o seu imenso carácter relacional e de proximidade com as pessoas, sendo a relação o meio mais rico para o crescimento dos Homens e do amor. Arrisco a dizer que enfermagem é a referência no caminho da existência!

Breve Concepção Pessoal de Enfermagem

De fato, a falsa imagem da enfermeira extremamente jeitosa que dá injeções é um estereótipo pobre demais para a riqueza que a palavra “cuidar” proporciona. E cuidar é vestir a pele de anjo, movendo o branco pelos corredores cinzentos e depressivos! Cuidar é dar luz, e luz é sinônimo de energia, entrega, dedicação, partilha! Cuidar é ser cúmplice no momento da fragilidade humana, é o toque, é o sorriso, é a mão estendida,...!
Na minha concepção de enfermagem, os doentes são a minha segunda família, e como familiares que são quero o melhor para eles, tal e qual como gostaria que fizessem para os meus! E, neste caso, o conceito de família não serve apenas como meio facilitador da parceria dos cuidados, é para mim um meio naturalmente instalado, típico de um profissional que convive 365 dias por ano e 24 horas por dia com a pessoa/doente, no limiar entre a recuperação e o sofrimento, com noites mal dormidas e fins de semana perdidos.
Além disso, este conceito alarga-se também à família do doente, não só pelo desfile de elegância protagonizado nos corredores das unidades de saúde (tanto netas como filhas, cada uma melhor que a outra!), mas fundamental e realisticamente pela necessidade que todos os intervenientes do cuidar sentem, numa perspectiva holística (a pessoa como um todo) do cuidar. Isto porque o sucesso dos cuidados prende-se com o sucesso da tríade enfermeiro-doente-família, dado que em cada um, existem necessidades insatisfeitas mas juntas em parceria.
No fundo, como em todas as profissões, há bons e maus profissionais, para mim os bons profissionais de enfermagem são aqueles que conseguem aliar a responsabilidade à boa disposição, conjugando numa só pessoa a ciência, a arte e o amor.

Enfermagem na primeira pessoa

Apesar do carácter angelical do enfermeiro, este é um ser humano e, como tal, também apresenta oscilações de humor, tendo também os seus “bad days”, em que qualquer coisa seria melhor do que trabalhar. Confesso que já tive vários dias assim, muito por culpa das insônias noturnas, mas felizmente o afeto dos doentes e a cumplicidade da fantástica equipe de técnicos encobriram esse cansaço e revelaram a força que há em mim! Como é bom entrar na enfermaria dos doentes e perceber o seu sorriso e brilho no olhar, ouvir expressões como “Olha, aí vem o minha querida...”, “Já há muito tempo que não aparecia...” ou “ Você faz falta aqui!”, e sair do serviço exausta mas com o dever cumprido, porque o amor acontece!
Depois, parecendo que não, enfermagem é das profissões mais predispostas ao humor, dada a proximidade com as pessoas, e cada pessoa possuir o seu estilo próprio. Curioso quando em certo dia entro na enfermaria dos doentes e uma doente chama-me e, quando me aproximo, pede-me para a levar...ao céu! Desde esse dia começou a tratar-me por “amor” e o seu estado de saúde teve uma evolução favorável (juro que não a levei ao céu!). Ou então a doente que desde sempre me confundiu com a neta, e cada vez que entro no quarto sorri e, convictamente, saúda-me “ Olá Fernanda...”, perguntando-me também pelo Antônio, ao qual respondo-lhe que está a trabalhar... Podia também contar a história da doente que lavava as calcinhas com a água do fundo do sanitário e estendia-as na cama, no entanto a partir daqui as histórias seriam cada vez mais surreais e ficarão para outra altura ou noutro contexto... Isto tudo porque há humor nos cuidados de enfermagem, e só se pode entender a Enfermagem desta maneira, senão entraríamos tristes e sairíamos deprimidos, não sabendo a certa altura quem seriam os verdadeiros doentes.

Em suma, muito mais haveria a dizer ao tentar transmitir pessoalmente a essência da enfermagem, mas importante é mostrar que o enfermeiro deixou de ser o “mecânico das pessoas”, para transformar-se no “anjo das pessoas”. Lanço agora aos participantes deste blog para também responderem à pergunta inicial, sejam enfermeiros ou não, porque afinal de contas todos já passaram por uma unidade de saúde.

Fica sempre tanto por dizer...

Um comentário:

  1. Costumo dizer q se todo cidadão fosse enfermeiro por um dia, vivesse e presenciasse a nossa luta e o sofrimento das pessoas, certamente o mundo seria bem melhor!

    ResponderExcluir